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PF prende três suspeitos em desdobramento da Operação Rootkit contra vazamento de dados do Gov.br

Operação .DAT investiga obtenção e comercialização ilegal de credenciais digitais. Dois investigados foram localizados em Uberlândia e um em Governador Valadares.

Por Redação — Minas Gerais | 28/05/2024 07h18

Investigação digital
Contextualização

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (28), três suspeitos de envolvimento em um esquema de invasão, extração e comercialização ilegal de dados vinculados a contas da plataforma Gov.br, sistema utilizado por milhões de brasileiros para acesso a serviços digitais do governo federal.

A ação integra a Operação .DAT, desdobramento da Operação Rootkit, investigação iniciada para apurar a atuação de grupos especializados em ataques cibernéticos contra sistemas públicos e revenda clandestina de credenciais digitais.

Dois investigados foram localizados em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e o terceiro em Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais.

Segundo a investigação, o grupo atuava na obtenção, armazenamento e compartilhamento de credenciais de acesso em fóruns clandestinos voltados à comercialização de dados e serviços ilícitos.

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos identificados são Eder Reis Ribeiro, de 38 anos, conhecido no meio digital como "Alderson"; Tássia Augusto Lopes, de 29 anos, conhecida como "Eva Bite"; e Daniel Mendes Rocha, de 29 anos, que utilizava o codinome "Zoio".

Operação

Batizada de Operação .DAT, a ofensiva cumpriu mandados expedidos pela Justiça Federal como continuidade das apurações conduzidas no âmbito da Operação Rootkit.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos computadores de alto desempenho, HDs externos, dispositivos móveis, pen drives criptografados e equipamentos que passarão por perícia técnica.

Computadores apreendidos

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que os dados teriam sido obtidos por meio de campanhas de phishing, clonagem de páginas de autenticação e exploração de vulnerabilidades em sistemas intermediários de validação.

Parte do material era disponibilizada gratuitamente em comunidades restritas como forma de comprovação da autenticidade dos acessos. O restante era negociado mediante pagamento em criptomoedas.

Entre as informações acessadas estariam registros de autenticação, e-mails vinculados às contas, dados cadastrais e históricos de acesso.

Risco de fraudes

Especialistas ouvidos no curso da investigação alertam que o vazamento pode facilitar golpes envolvendo falsidade ideológica, abertura de cadastros fraudulentos e tentativas de acesso indevido a serviços públicos digitais.

A corporação informou que ainda apura a extensão do comprometimento e trabalha para identificar outros possíveis envolvidos.

Investigação

A Polícia Federal apura se o grupo mantinha conexão com operadores de outros estados e se parte das informações foi compartilhada com redes criminosas internacionais.

Os investigados poderão responder por invasão de dispositivo informático, associação criminosa e fraude eletrônica, até o momento, não existem indicações de comercialização ilegal de dados digitais.

A defesa dos suspeitos não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.